domingo, 7 de outubro de 2012

A crise na Europa



A CRISE NA EUROPA 


A crise económica instalada na Europa está a inverter o fluxo migratório entre os países da Europa e da América Latina, que se converteu nos últimos anos no principal destino de jovens europeus, revelou hoje a Organização Internacional para as Migrações (OIM). 

De acordo com o estudo, financiado pela União Europeia, entre 2008 e 2009, mais de 107.000 europeus, incluindo os de dupla nacionalidade, deixaram seus países de origem para viver em um país da América Latina ou Caraíbas. 


Fluxo Migratório


Entre os países que registaram o maior número de saídas figuram a Espanha (47.701), a Alemanha (20.926), a Holanda (17.168) e a Itália (15.701). 
Por outro lado, os principais receptores foram Brasil, Argentina, Venezuela e México. 
No caso dos portugueses, o principal destino é o Brasil enquanto para os espanhóis destacam-se Argentina, Chile e Uruguai. 
Estes emigrantes são jovens entre 25 e 35 anos, solteiros e sem família, com elevado nível de escolaridade e com objectivos profissionais pautados pela possibilidade de seguir carreira em alguma empresa multinacional. 
Especificamente no caso de portugueses que buscam trabalho no Brasil, o perfil é liderado por engenheiros civis e arquitectos, que buscam oportunidades nas crescentes vagas criadas em função dos preparativos para o Mundial de Futebol de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. 
O Brasil tem recebido ainda um fluxo importante de franceses, italianos e espanhóis. 

Ainda de acordo com o relatório da OIM, Portugal aparece como o terceiro país europeu que mais recebe remessas de países latino-americanos. 
Somente em 2010, Portugal contabilizou o ingresso de 420 mil milhões de dólares, oriundos de países latino-americanos, atrás apenas dos volumes enviados para Espanha e França. 
O relatório observa ainda que, ao contrário do que se imaginava, a crise não incentivou o retorno dos imigrantes latino-americanos que vivem na Europa, mesmo em casos como o de Espanha, onde o Governo criou políticas de incentivo ao regresso. 
O fluxo migratório de latino-americanos em direcção à Europa continua a ocorrer, mas de forma gradual. De acordo com a pesquisa, esse tipo de migração passou de 400.000 pessoas, em 2006, para 229.000, em 2009. 
Segundo a OIM, actualmente 4,290 milhões de pessoas de países da América Latina ainda residem na União Europeia, com destaque para Espanha, Reino Unido, Países Baixos, Itália e França; enquanto 1,25 milhões de cidadãos europeus vivem hoje na América Latina e Caraíbas. 
A pesquisa foi realizada pela OIM em parceria com o Ibero American Foundation, como parte do estudo "O reforço do diálogo e da cooperação entre a União Europeia e a América Latina e Caraíbas".